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Youtubers mirins: os cuidados que os pais precisam ter para evitar frustrações




22, outubro 2018 - by

“O que você deseja ser quando crescer?” Esta é uma pergunta que, com certeza, a maioria das pessoas já ouviu na infância ou adolescência. O que surpreende, na atualidade, é a mudança significativa da resposta. Hoje, muitas crianças e adolescentes poderiam responder, sem cerimônias, que desejam se tornar, antes mesmo de chegarem a vida adulta, um youtuber. O termo se refere às pessoas que possuem um perfil na plataforma de vídeos, Youtube, e dedicam seu cotidiano em alimentá-lo com assuntos diversos. São os conhecidos youtubers mirins ou influenciadores mirins.

E o número de baixinhos neste universo é cada vez maior. Segundo pesquisa coordenada pelo Media Lab da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), um dos principais públicos da ferramenta é o infantil e que dos 100 canais mais vistos no Brasil, [o segundo país mais consumidor de vídeos do Youtube] 36 deles têm conteúdo direcionado ou consumido por crianças de zero a 12 anos.

Este tipo de atividade, antes de ser iniciada, deve ser analisada com cautela pelos pais ou responsáveis, a fim de que se discuta até que ponto esta exposição pode ser benéfica, pois o maior desafio nestes casos é o confronto entre realidade e o mundo virtual.

Um like, por exemplo, não quer dizer, especificamente, que a pessoa gostou daquilo que viu. A criança estará lidando com uma realidade virtual que não é real. De repente ela se vê com milhares de seguidores, cria a impressão de que é alguém importante e com grande visibilidade, e chega na fase adulta com esta mesma visão. Mas ao lidar com as realidades que o mundo adulto impõe, pode se frustrar e, o pior, não conseguirá fugir dos problemas deste mundo real com um simples delete como fazemos pela tela do smartphone.

Além disso, a exposição excessiva neste tipo de plataforma pode gerar um grande problema quanto à formação da identidade da criança. Isso porque ela [a criança] acaba criando uma identidade imaginária, baseada no que o outro espera e não somente no que deseja, que seria o ideal. A criança vira refém do outro e acaba fazendo aquilo que atraia e vá de encontro com o que este outro procura. Então, cria-se uma identidade para o outro e não para o próprio sujeito.

A melhor alternativa para os pais diante dessa presença massiva da tecnologia e da cultura de likes na vida das crianças é refletir até que ponto ela vale a pena. É preciso diálogo franco da família com o filho que deseja atuar neste cenário tecnológico. Isso porque os pais são os verdadeiros responsáveis por acompanhar esta exposição, caso ela aconteça.

Quanto ao fato de deixar as crianças usarem ou não as mídias sociais, a proibição não é o melhor caminho, já que esta é a realidade do mundo atual. O ideal é que este universo seja introduzido no cotidiano dos pequenos de maneira responsável, sem eliminar o contato social e nem substituir os brinquedos físicos, fundamentais no desenvolvimento de diversos aspectos.

Dra Tatiana Presotti – psicóloga clínica da Clinicerta